Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

como um papagaio.


aqui caminham-se as mesmas pedras
e voa-se também
no infinito de voar perto dos outros.

do distante.

o estrangeiro chegou e todos se levantaram no bar. em brinde. ele chegou e brindou. e sentiu o seu coração preso por uma linha transparente, ultrapassando fronteiras e chegando a outro sítio. ele levantou-se e dançou com as mulheres mais bonitas do boteco. havia canções novas mas a farra era a mesma. os olhos eram iguais. tudo estava na mesma, enquadrado e quieto numa paz estranha de se ser de sempre. desta vez nesta chegada não era de sempre nem para sempre. e os seus olhos pareceram os mais distantes do mundo. sem pontes nem frases de cumplicidade. muito vazios.e isso trouxe-lhe água terna de se gostar muito. isso e o rum.

Domingo, 20 de Setembro de 2009

"agora mesmo há que ter força e inspirar fundo."
já se sabia isso tudo. estava-se fartinho de saber.

que a vida é mãos na terra e cavar fundo. que a vida de repente são rosas em mares onde se boia perfumado e de repente há que remar com mais vigor.

que a vida é labuta. e é luta. e é esperar um pouco com olhos seguros. é agradecer e inspirar fundo. é cuidar dos outros. e é cuidar de mim.

de repente, estava-se fartinho de saber que há dias em que se trabalha mais que outros.

Domingo, 13 de Setembro de 2009

todos


a diversidade. nas ruas o cosmopolitismo, espelhado andando connosco pelas vielas, em massa nas gentes. bebeu-se a índia e a moldávia, também lá estava áfrica naquela praça. e a cidade ficou mais rica, e a tarde ficou maior porque viajámos sem sair do mesmo país - encontrámos territórios desconhecidos na Lisboa Antiga.


senti comunidade. uma só, na mistura e na diferença. e vi gente admirada e com espanto de descoberta com danças e saris e sorrisos alucinados de uma índia longínqua dos marajás. a isto sim cultura, a isto sim política de cultura e de integração. sentir comunidade na praça do martim moniz. parabéns a quem pensou com simplicidade este encontro - que tinha de instrumentos pouco sofisticados asas de cartão, mapas construídos pelas mãos de miúdos dos anjos, livros que circulavam e roupas em colchões lembrando o mundo.


e depois rodas espontâneas de pessoas a dançar, de gente a espantar-se com a moldávia à sua frente em roupas e trajes típicos.

lisboetas, novos lisboetas com sorrisos generosos de quem acolhe e quem descobre.

lisboa é linda!


Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

de repente quis escrever isto aqui

amar é dizer amo-te escancaradamente.
que a palavra não perde o valor alimenta-se da repetição quando é feliz.
é sonhar alto sem ter medo de cair. é sentir que alguém sonha exactamente o mesmo. que sonhar é mais bonito com o outro. é estar apaixonado em todos os instantes. é dar a mão e sentir aquela mão cá dentro vivendo consigo. construindo consigo.

amar é construir uma bela casinha, que há casas que às vezes se começam pelo telhado.
é contruir um ninho bonito onde se adormece e respira, onde se vão buscar forças de voar.
é complemento. complementar-se. é dizer tudo tudo tudo deixando-me ler em todas as palavras e tolices. é ser um bocadinho foleira porque é inevitável.

amar é amar-te .
é pegar nos nossos pés e continuar assim de mansinho a andar um bocadinho mais longe. todas as minhas letras e frases belas não chegam para dizer o amor.
isso seria já substituí-lo.

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

chuvada

às vezes pergunto onde está o meu azul.
lá fora é uma tempestade que ali anda. aqui dentro de casa, como a canção, é vontade de sair deste quentinho e pegar na bicicleta e andar por aí. eu e uma bicicleta vermelha.
mas chove tanto.
queria mar neste momento e eu em frente a ele a olhar muito ao fundo.
a sonhar acordada como sempre fiz.

visitar

daqui de longe
se vem um amigo
é como se todos voassem para aqui representados.

daqui de longe há páginas que se amarelam
onde se escreveram os dias passados noutro lugar
que ganham vida na chegada de alguém

aqui tão longe
sou mais perto
quando me trazes o sol e a luz
que sempre existe
às claras
no peito de um grande amigo.